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Klinghoffer: “É um leve desrespeito que os discos sem John simplesmente deixem de existir”

Em entrevista à Guitar World, o ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers Josh Klinghoffer abriu o jogo sobre como a banda lida com o catálogo da era em que ele esteve no grupo — e a resposta foi honesta, sem amargura, mas também sem papas na língua.

Quando perguntado se o incomoda o fato de os álbuns que gravou com os Peppers serem sistematicamente ignorados pela própria banda, Klinghoffer respondeu com equilíbrio:

“Não muito. É uma coisa curiosa. Imagino que seja algo particular à forma como John enxerga a banda quando não está nela, e isso faz sentido pra mim. Eles têm música suficiente — não precisam recorrer a alguns dos outros discos.”

Mas logo em seguida, ele foi mais preciso sobre o que o incomoda de fato:

“A única coisa que eu diria é que existe um leve desrespeito aos discos que não são os discos do John. Quando ele volta, é como se os outros registros simplesmente não existissem. Isso é a única coisa estranha pra mim, porque esses discos foram importantes na época. Foram importantes o suficiente para rodarem o mundo.”


Klinghoffer reconhece que a sombra de Frusciante sobre o grupo é uma força difícil de contornar. Ele descreveu o guitarrista como uma “presença fortíssima” e foi generoso no reconhecimento:

“Ele é o guitarrista por excelência daquela banda. É quem fez o trabalho com eles no período em que alcançaram a fama global.”

Mas o ex-membro foi além ao refletir sobre o peso de ver sua passagem apagada não só dos setlists, mas do próprio imaginário da banda. Citando também a era de Dave Navarro com One Hot Minute (1995), ele completou:

“Para qualquer pessoa que se conectou com esses álbuns, seja o One Hot Minute ou os dois que fiz com eles… imagino que seja um pouco estranho pra mim estar completamente banido do catálogo e da performance ao vivo.”


A declaração ressoa diretamente com o que Klinghoffer havia dito anteriormente no podcast brasileiro 5 Notas, quando afirmou que os Chili Peppers “faziam música mais legal” quando ele estava no grupo — comentário que gerou repercussão. Na entrevista à Guitar World, ele voltou ao assunto sem recuar:

Klinghoffer também revelou que ouviu Unlimited Love e Return of the Dream Canteen — os dois álbuns com Frusciante lançados em 2022 — uma única vez, quando saíram, e não voltou a eles desde então.


Esteve com os Peppers de 2009 a 2019, participando de dois álbuns de estúdio: I’m With You (2011) e The Getaway (2016). Seu desligamento veio com o retorno de Frusciante, a quem ele inclusive havia colaborado anos antes — os dois trabalharam juntos antes mesmo de Klinghoffer entrar para a banda.

Desde então, ele tem construído uma carreira sólida fora do universo RHCP: integrou o line-up de turnê do Pearl Jam, participou de gravações ao lado do superprodutor Andrew Watt (incluindo o álbum indicado ao Grammy de Elton John e Brandi Carlile, Who Believes in Angels?) e mantém o projeto solo Pluralone em atividade.

O próximo capítulo dessa fase chega em 12 de junho, com o lançamento de A Drop in the Ocean — um disco acústico produzido em parceria com Eric Palmquist e com participações vocais da escritora Chelsea Hodson.

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