Entrevista de Josh Klinghoffer à rádio 100,9 de Quebec

Josh foi entrevistado pela rádio Rock 100,9 no backstage do Festival de verão de Quebec, em 16 de Julho. Ele falou de sua adaptação à banda, da mudança de produtor e de seu gosto por hóquei. A seguir, temos a tradução da entrevista, que pode ser vista no vídeo abaixo:

Entrevistador: Josh, como está? (em francês)

Josh: Bem, muito bem.

E: Excelente, isso é bom. E com esse francês e esse gorro que você está usando todos já te amam, então está tudo bem.

J: Isso é basicamente tudo o que eu sei (de francês).

E: Vamos falar sobre o que vai acontecer hoje, você estará tocando aqui no Festival de Verão. Já faz alguns anos que os Red Hot Chili Peppers estão no topo da lista das atrações que as pessoas querem ver no festival e agora finalmente está acontecendo. Sei que vocês já estão acostumados a tocar em festivais grandes, acabaram de voltar da Europa, mas como alguém se prepara para um show onde estarão mais de 60, 70, 80 mil pessoas?

J: Para mim, eu me preparo da mesma maneira do que se houvesse 60 pessoas. Faço o de sempre, tento tocar guitarra o máximo possível antes do show. Gosto de estar no local do evento pelo máximo de tempo que puder antes de tocarmos só para ter uma noção de onde vamos fazer o que fazemos, mesmo que seja um festival, gosto de sentir a multidão ou a energia do lugar. É assim que eu me preparo. Estou aqui há uma hora mais ou menos e é um belo dia, parece que tem coisas boas acontecendo aqui.

E: E você tem a chance, enquanto está num festival ou em turnê de assistir outras bandas ou as bandas de abertura, ou está sempre num cronograma apertado?

J: Festivais são mais complicados, nós não chegamos tão cedo. Às vezes eles são no meio do nada e não há muita coisa acontecendo, além do trabalho que vamos fazer. Eu assisto coisas se realmente quiser, mas não tenho feito muito esforço para isso, ultimamente. Mas um dia desses eu fui prazerosamente surpreendido antes de nós tocarmos em Roskilde, Dinamarca, Damon Albarn e os caras do Africa Express trouxeram uma orquestra síria maravilhosa para o palco, com vários músicos convidados, cantores, músicos da África, alguns cantores do Oriente Médio, um coro, e foi incrível. E eu não tinha ideia de que eles estariam ali, essa foi uma das melhores coisas que eu vi em muito tempo.

E: Excelente. Vamos falar do seu papel como membro dos Red Hot Chili Peppers. Esse é o segundo álbum, The Getaway, acabou de sair, e que você fez com os caras. Você sente que está se adaptando mais agora a esse papel como membro oficial?

J: Ahn, eu não sei, é difícil dizer isso, porque… De algumas maneiras, sim, talvez, mas majoritariamente, não. Eu estava bem confortável com os caras e em estar na banda desde o início. Acho que só foi louco e uma experiência estranha e nova da primeira vez, mas porque nós fizemos esse novo álbum com um novo produtor, alguém que era novo para todos nós. Quero dizer, novo em trabalhar com os Chili Peppers. Esse álbum foi bem diferente para todo mundo. Então eu ser o membro mais novo não teve muito a ver com isso, todos nós ficamos desconfortáveis com a mudança drástica de método e ambiente no qual nós estávamos gravando. Foi ótimo e muito divertido, acho que todo mundo e divertiu. Mas, para mim, eu não me sinto mais confortável agora ou algo assim, é como seria com qualquer amigo. Eu passei mais tempo com eles e conforme você conhece mais as pessoas, você se aproxima mais delas. Mas eu conheço os caras há bastante tempo.

E: Sim, porque você fez turnês com eles, abriu shows deles, acho que John Frusciante é um de seus amigos, na realidade?

J: Sim.

E: Vamos falar de outra coisa. Você mencionou ter um método diferente, porque os Red Hot Chili Peppers são conhecidos por fazer discos com Rick Rubin. Isso é o que eles fizeram pelos últimos 25 anos. Esse álbum vocês fizeram com Danger Mouse. Por que isso? Foi mais uma questão de escolher Danger Mouse do que deixar Rick Rubin?

J: Eu não sei, provavelmente é um pouco dos dois. Acho que todos nós tivemos razões diferentes para querer mudar, sabe? Eu só posso falar por mim mesmo. Embora tenha sido uma ótima experiência trabalhar com Rick no último álbum, eu senti que, quando são cinco pessoas fazendo um disco, não incluindo os engenheiros e todas as outras pessoas envolvidas em fazer um disco, mas nos quatro como banda e Rick como produtor. Esses quatro caras tinham uma relação de trabalho de mais de vinte anos. E isso foi algo com que eu comecei, ou fiquei desconfortável depois de um tempo. Eu me senti “a pessoa nova”. Não porque eu fosse novo para a banda, mas porque eu era novo para essa família que eles tinham, uma família profissional e artística. Então essa foi minha razão principal para querer tentar com outra pessoa. E eu penso que todos os outros tiveram razões diferentes e também muitas pessoas estavam com um pouco de medo de não fazer o que eles estavam acostumados a fazer há um tempo. Porque Rick tinha feito coisas ótimas com a banda. Mas eu não posso falar por ninguém. Não posso dizer que foi mais uma razão que a outra para querer deixar Rick. Acredito que a banda é muito grata pelo seu trabalho com Rick Rubin e ele é uma parte enorme da história da banda e da maneira que essa banda progrediu ao longo dos anos. Mas como eu disse, para mim, eu era novo nesse relacionamento e eu senti que se nós fizéssemos outro álbum em que eu me sentisse como eu me senti da outra vez, eu não me divertiria nada.

E: E a escolha de Danger Mouse como produtor, quanta influência você teve nisso? Porque você trabalhou com Gnarls Barkley anteriormente, eles abriram para os Red Hot Chili Peppers. Você tocou com ele. Você teve uma grande influência nessa escolha?

J: Acho que um pouco. Ele é alguém de que eu sou um bom amigo há mais de dez anos. Nós fizemos um disco juntos em “Ots”, ou o que quer que se chame, “Ots”, por volta de 2005, nós fizemos um disco com Martina Topley-Bird. Então eu e ele somos amigos, jogamos na mesma liga de fantasy football, foi fácil falar sobre, “ei, você gostaria de explorar a possibilidade de fazer um disco conosco?”. Acho que isso tornou mais fácil, mas ele é alguém que fez ótimos trabalhos e todos nós quatro respeitamos e eu penso que independente de eu conhecê-lo ou não ele seria alguém com que a banda gostaria de trabalhar.

E: Recentemente Flea postou algo nas redes sociais em que vocês tiveram uma experiência estranha em Belarus. Você estava envolvido nessa experiência e teve que assinar alguns souvenires do Metallica?

J: Eu estava envolvido no sentido de estar na sala, mas no minuto em que eu vi as fotos do Metallica aparecerem eu percebi que as pessoas que estavam trabalhando lá pegaram a banda errada. Eu me senti um pouco envergonhado por todo mundo na sala então eu me retirei educadamente para o banheiro.

E: Como alguém confunde, digamos, você e o Kirk Hammett? Vocês não se parecem nem um pouco.

J: Eu não sei exatamente o que foi dito às pessoas no aeroporto. Talvez tenham dito “grande banda americana, tipo o Metallica”… Eu não sei como aconteceu. Alguém deu a eles a informação errada. E em defesa deles, eles trouxeram muitas fotos legais do Metallica, e cds de bootlegs… Eles estavam preparados para o Metallica. Só não era a banda que chegou naquele dia. Mas eu me senti mal, eu não assinaria as fotos de outras pessoas, então eu só convenientemente desapareci.

E: É, eu não diria um CD, onde não tem fotos, mas tem uma foto… Obviamente Flea não é Robert Trujillo e, você sabe…

J: Em dado momento eu não sei se eles ligaram pra isso.

E: É, esse é o ponto! Eu acabei de mencionar redes sociais e quando nós olhamos pra elas, eu sei que pode ser enganador às vezes, e que vocês provavelmente só postaram as coisas positivas…

J: Eu não posto nada.

E: Não, você não posta nada, mas seus companheiros de banda postam e eles realmente parecem estar curtindo a vida agora, talvez mais ainda do que em qualquer ponto da carreira deles. Você sente isso também?

J: Sim, talvez, eu os conheço há muito tempo, eles meio que… Eles vêm fazendo isso há bastante tempo e como eu sempre digo às pessoas, eles ainda me chocam por estar fazendo isso pelo tempo que eles vêm fazendo. Eles realmente abordam o que eles fazem com um sentimento de maravilha infantil. Eles são muito animados em fazer coisas novas, se amontoam no último minuto para se preparar e ficam nervosos, como eu fico. Mas eles estão fazendo isso há muito mais tempo do que eu. E eu penso que a banda atingiu um nível de conforto e eles, como pessoas, tendo famílias e tendo crianças que eles estão vendo crescer. Acho que eles estão vendo uma vida toda de trabalho duro dar resultado. Acho que é difícil estar numa situação como a que eles estão, tendo filhos lindos em volta e toneladas de multidões maravilhosas, e esses rostos lindos sorrindo para eles e dando a eles muito amor. Seria muito difícil e sentir miserável e infeliz. Tenho certeza que eles tentam às vezes ser miseráveis e infelizes, mas acho que todos estão em um ponto agradável.

E: Recentemente, Anthony teve alguns problemas de saúde e as pessoas ficaram preocupadas com ele, porque os Red Hot Chili Peppers normalmente não cancelam shows. Eles vão tocar, independente do que aconteça. Mas vocês tiveram que cancelar um show, então como está a saúde de todos agora?

J: Ótima. Essa foi a primeira, na verdade a segunda… Eu estive envolvido em outro cancelamento de show, mas não com essa banda. Nós estávamos prontos para começar, e aconteceu que tivemos que cancelar uma hora antes e alguém o viu (Anthony) e tocou na barriga dele, meio que olhou para ele e disse: “sabe, se você fizer esse show você pode romper algo e a situação pode piorar. Então, não toque”. Ele ficou no hospital por 24 horas e eles resolveram o problema, e ele está bem, de volta e tudo está bem.

E: Ele é o rockstar mais saudável que existe, então…

J: É, e Flea também. Incrível.

E: The Getaway acabou de sair, é o novo disco, teve algum atraso por causa do acidente de Flea. Mas mesmo assim, normalmente os Red Hot Chili Peppers não liberam tantos álbuns, com o ciclo de fazer turnê por 2 ou 3 anos e aí sair um novo álbum. Existe um esforço consciente de esperar?

J: Não, não. Na realidade, desde que eu estou na banda existe um esforço consciente de ir mais rápido com isso. Eu penso que eles estavam num cronograma bem consistente desde que John voltou à banda. Californication, By the Way, Stadium… Eles foram todos, sabe, “fazer turnê por algum tempo, tirar alguns meses de folga, gravar um disco, turnê”… Mas quando eu entrei eu só me lembro de ter esse um ano inteiro de turnê quando nós pensamos que estávamos meio cansados daquilo, mas nós continuamos em turnê mesmo assim. E sim, aí começamos a construir o disco, e ele se machucou… Tudo parecia estar indo mais devagar, mas nós, eu quero mesmo ir mais rápido, gravar mais música, liberar mais música. Nós realmente escrevemos muita música. Nós gravamos 50 músicas para I’m With You, tivemos mais ou menos 30 músicas para esse álbum que não foram finalizadas ou não fora trabalhadas ou gravadas. Nós não temos nenhuma escassez de música. Não existe razão para levarmos cinco anos para fazer um disco, na verdade. É doido. Então, a resposta para sua pergunta de uma maneira longa: não, não é uma coisa consciente. E se dependesse de mim, e espero que da próxima vez nós sejamos mais rápidos e encontremos maneiras de gravar coisas enquanto estamos em turnê ou algo assim. Porque é realmente uma pena deixar todo esse tempo passar.

E: Então em 2018, 2019 nós teremos um novo disco dos Chili Peppers?

J: Sim, sim.

E: Vou acreditar em você.

J: Vamos ver, é bem possível.

E: Excelente. Tenha um grande show hoje à noite, se divirta e eu tenho uma pergunta: há quanto tempo você é fã dos Nordiques (time de hóquei de Quebec, do símbolo na touca de Josh)?

J: Ah, eu era um grande fã de hóquei quando era criança. Então eu não posso dizer que sou fã dos Nordiques, porque eles não existem há um tempo, e eu não gosto tanto da Avalanche (Colorado Avalanche é o nome que os Nordiques têm depois de terem sido vendidos), mas quando eu era criança eu realmente gostava do Joe Sekic (ex-jogador e manager do time) e do Mats Sundin (ex-jogador) e eu era colecionador de cartões de hóquei, e eu achava que os Nordiques tinham um logo legal e uma coisa legal acontecendo aqui em cima. Uma cidade menor, fora do eixo normal talvez? E eu achava que o time de hóquei deles era forte e mandava bem.

E: E nós vamos trazê-los de volta.

J: Eu realmente acho que vocês deviam. Winnipeg pode voltar, então eles também.

E: Bom, Josh, todo mundo na cidade de Québec ama você por isso agora e por seu trabalho com a banda.

J: Sou um grande apoiador da campanha pela volta dos Nordiques.

E: Excelente. Tenha um ótimo show, foi um prazer!

 

Fonte: JoshKlinghoffer.org no youtube

Tradução: Ana Beatriz Barata

Ana Beatriz Barata: