O que esperar do próximo disco? Melhor que o anterior! (Parte 4)

Dando sequencia ao nossos artigos, nosso amigo jornalista Michael Gomes Figueredo conta sua opinião sobre “O que esperar do novo álbum do Red Hot Chili Peppers?”, leia:

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A vida de fã de Red Hot Chili Peppers não é fácil. Principalmente pra os maiores de 30 anos. Sou da turma que conheceu a banda durante a primeira “era Frusciante“, mas que só passou a entender o que é música nos tempos de Dave Navarro. Foi ali, por volta de 1995, que passei a gostar dos Peppers, muito influenciado por dois “rapazes” da época: o Beavis e o Butt-Head. Porém, me tornei fã somente no segundo período “frusciantiano”.

Desde então, passei por tudo aquilo que a maioria de vocês, lendo esse texto, também passaram. Conheci pessoas, fiz amigos, ajudei a fundar uma banda cover (a Pepperone), tive garotas… enfim, muita coisa boa graças a essa banda. Mas, certamente, uma das melhores sensações sempre foi a de esperar um novo álbum. Aqui entra o saudosismo de alguém que comprava CDs. Chegar cedo e esperar o shopping abrir para comprar o By The Way, no dia de lançamento, é uma lembrança que guardo com carinho.

Esperei pelo Slane Castle, pelo Hyde Park. E o Stadium Arcadium? Ali começava a surgir o YouTube, lançado em 2005. E nele apareciam vídeos de shows da banda, com trechos das músicas novas. Foi algo mágico comprar aquele álbum e ouvir sem parar durante pelo menos um mês.

Calma. Sei que assunto aqui é a expectativa em relação ao novo álbum. Mas era necessário relatar tudo isso para explicar a minha decepção com o trabalho mais recente, o I’m With You. E também para não ser mal interpretado quanto o que eu espero do que está por vir. Em tempos radicais como os de hoje, fãs de John e Josh vivem relação quase como a dos xiitas e sunitas, petistas e tucanos, Flamengo e Vasco, e por aí vai.

E então, o que esperar do próximo disco? Certamente será melhor que o anterior. Afirmo pautado em alguns fatores importantes.

O primeiro deles é que Josh está mais entrosado com a banda. Isso fica nítido ao compararmos as primeiras apresentações dele, como aquela exibida nos cinemas, com as mais recentes, do final da turnê. Em qualquer área de atuação, a química com os colegas de trabalho é fundamental para a obtenção de bons resultados. Isso certamente será traduzido num casamento mais preciso das guitarras do menino Klinghoffer com os dois monstros que ele tem na cozinha. A falta de encaixe, inclusive, é uma das minhas críticas ao álbum passado. Bateria e baixo grudados, enquanto a guitarra parecia buscar seu espaço.

Depois, vem a evolução técnica do músico. Até mesmo aquele cara que toca violão apenas em casa e anima os encontros de amigos, melhora com o tempo. E Josh, certamente, ganhou mais técnica nesse período com a banda. Tocar ao lado do Flea, por si só, já faz qualquer músico crescer. E o guitarrista é esforçado. Ele mostra isso quando reconhece suas fraquezas, como quando confessou ter dificuldades com Snow. Identificar quais são os pontos fracos é a única maneira de evoluir.

O terceiro, e mais importante, é a mudança na produção. Rick Rubin é um gênio? Ninguém pode negar. Mas mudar renova o ânimo, o prazer de fazer algo novo. Com o barbudão, a banda vinha fazendo “mais do mesmo”, para usar um clichê. Aliás, é uma característica de todas as bandas que têm seus trabalhos assinados por Rubin. Um novo produtor consegue revolucionar. O próprio Flea afirmou que Danger Mouse estava “desafiando a encontrar novas maneiras de avançar com novas músicas”. O cara já trabalhou com Gorillaz, U2 e Snoop Dogg.

Além desses três pontos levantados, o que me faz esperar um bom trabalho é simplesmente não esperar nada. Explico: esperava, em 2011, um substituto para o John. E surgiu algo que marcava muito mais uma transição do que uma nova fase. Agora é o momento de mostrar qual é a nova fase. O trio remanescente da formação mais importante dos Chili Peppers sabe se reerguer. E sabe impressionar quando ninguém espera. Eles escolheram o Josh. Confiam no Josh. E, sem “clubismo”, quem somos nós para desconfiarmos?

  • Michael Gomes Figueredo (Rio de Janeiro / RJ)